quarta-feira, 25 de julho de 2012
O perigo de escolher cursos que estão na moda
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Festival de Gastronomia COZINHAS DO MUNDO
![]() |
Sofia Albuquerque

quarta-feira, 28 de março de 2012
Combate ao desemprego – Medida”Estimulo 2012”
terça-feira, 27 de março de 2012
Networking on-line... O que é?
terça-feira, 20 de março de 2012
Saberes e Sabores no MASE
INSIGNARE promove sessões de Integração no Mercado de Trabalho
3º Objetivo – A simulação de uma entrevista de emprego – mais direcionada para os 3ºs anos, dirigida pelos colaboradores Sergio Fernandes e Sofia Ferreira, onde os alunos passavam por uma situação de recrutamento dentro da área de formação. Foram entrevistados 5 alunos de diferentes cursos (Gestão, Cozinha/Pastelaria, Design, Turismo, Restaurante/Bar). Em todas as entrevistas os nossos colaboradores tinham acesso ao “Curriculo Vitae” do “Candidato” e alertavam os alunos presentes para a necessidade de preparação prévia das entrevistas.
Para os mais distraídos, fica aqui a hiperligação de um artigo interessante sobre a preparação das entrevistas:
terça-feira, 13 de março de 2012
“Deixemos o sexo em paz”
quinta-feira, 8 de março de 2012
Turismo: prioridade nacional?
O Turismo confronta-se, hoje, do lado da procura, com um contexto em acentuada mudança, traduzida numa profunda alteração da estrutura demográfica, na emergência de novas motivações e atitudes, a par da sofisticação e alteração de padrões de comportamento do consumidor turístico.
Do lado da oferta, o Turismo está também confrontado com a emergência de novos concorrentes, com movimentos de consolidação empresarial e novos modelos de negócio.
Apesar dos resultados alcançados nos últimos dois anos, a evolução recente do Turismo nacional tem-se traduzido numa estagnação da quota de mercado, tanto a nível europeu como mundial, concomitantemente com taxas médias de crescimento inferiores às dos seus concorrentes, tanto a nível geográfico, como a nível dos produtos turísticos.
Nada sendo alterado, o Turismo assistirá ao agravamento desta tendência de perda de importância na esfera da competitividade mundial.
O que é podemos/devemos, na nossa perspectiva, esperar do turismo português para os próximos anos?
2. Necessitamos por isso de apostas e novas linhas estratégicas sem esquecer a importância de racionalizar meios e custos. De uma nova economia turística para uma nova década assente em três princípios orientadores: valor ao cliente; sustentabilidade e envolvente competitiva.
3. Precisamos de explicar melhor o potencial do País enquanto destino turístico de qualidade e a consequente necessidade de abordar o mercado externo de forma impactante e uníssona (leia-se, conquistar os mercados externos com uma Marca Portugal forte, consistente e bem delineada). A par dos produtos já consolidados, assumirmos uma maior expressão aos programas de turismo sénior; maior expressão ao turismo acessível; maior expressão ao turismo religioso; maior expressão ao turismo de saúde.
Criar nos nossos concidadãos a consciência de que podem contribuir para o desenvolvimento do sector e por essa via, de Portugal.
O cidadão português tem o direito de conseguir fazer férias no seu país (temos que ser competitivos e dar condições às pessoas para que isso seja concretizável), em que os sectores publico e privado devem aliar-se neste projecto turístico português, agora como nunca.
Consolidar o Mercado interno: A melhor ajuda que qualquer português pode dar é “consumir “ Portugal como seu – que é! “Apaixonemo-nos” então por todo o nosso património, pelo nosso clima, pelas nossas paisagens, pela nossa oferta hoteleira e gastronómica e sejamos os primeiros a “vender” aquilo que temos.
4. A par destes pontos anteriores, seremos confrontados inevitavelmente com dez MegaTendências que vão influenciar o Turismo Mundial no Sec. XXI:
Em conclusão, por ocasião do centenário do Turismo, queremos reafirmar a dimensão da captação de sonhos e emoções que este sector propícia, queremos afirmar a catalização do desenvolvimento económico de uma Região e de um País.
Pedro Machado
Presidente da Região de Turismo do Centro
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Alunos do século XXI (2) – Metodologias
Na sequência do post anterior, pretendemos agora apresentar algumas ideias ao nível das metodologias atualmente preconizadas para a formação dos alunos do século XXI. Estas assentam num conjunto de princípios que incluem:terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Já pensou em ser um video-candidato?
Sandra Monteiro
Unidade de Inserção e Acompanhamento Profissional
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Alunos do século XXI
Um dos temas sobre o qual se refletiu e que se reveste de enorme importância, na minha opinião, relaciona-se com as características dos nossos atuais alunos e as competências que precisam de adquirir, as competências do século XXI. Os atuais alunos das nossas escolas são, de facto, muito diferentes dos alunos do século passado, vivem na era digital e da globalização e precisam de outras aprendizagens… “Muitos terão empregos que ainda não existem. Muitos precisarão de excelentes competências linguísticas, interculturais e em empreendedorismo. A tecnologia continuará a mudar o mundo de formas que não conseguimos imaginar. Certos desafios como as alterações climáticas exigirão uma adaptação radical. Neste mundo cada vez mais complexo, a criatividade e a capacidade para continuar a aprender e a inovar contarão tanto ou mais do que certos tipos de conhecimento que tenderão a tornar-se obsoletos. A aprendizagem ao longo da vida deverá tornar-se uma norma.”(2)
Neste panorama, para a escola preparar os alunos para a vida terá, necessariamente, de procurar novas abordagens, já não é apenas importante, por exemplo, os alunos obterem conhecimento mas também saberem gerir toda a informação que chega até eles, em grande quantidade, a grande velocidade e pelos mais diversos meios… torna-se pois essencial refletir sobre a educação do século XXI.
De acordo com o relatório para a UNESCO da Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, coordenada por Jacques Delors, os quatro pilares da educação do século XXI são: 1) Aprender a conhecer combinando
2) Aprender a fazer, que é indissociável do aprender a conhecer, e que se refere sobretudo ao pôr em prática os conhecimentos teóricos;
3) Aprender a viver juntos desenvolvendo a compreensão do outro e a perceção das interdependências - realizar projetos comuns e preparar-se para gerir conflitos - no respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz;
4) Aprender a ser, para melhor desenvolver a sua personalidade e estar à altura de agir com cada vez maior capacidade de autonomia, de discernimento e de responsabilidade pessoal.
Concluo, então, com um desafio: sendo nós uma escola no/do (?) século XXI, como podemos (cada um na sua função) preparar para a vida, os nossos alunos?
Sofia Ferreira
Psicóloga
(1) Mais informações em http://www.proalv.pt/
(2) Comunicação da comissão ao parlamento europeu, ao conselho, ao comité económico e social europeu e ao comité das regiões, Melhorar as competências para o século XXI: Uma agenda para a cooperação europeia em matéria escolar, 3.7.2008.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
Percursos... Carlos Simões
Para começar este artigo, definitivamente teria de agradecer a escola, aos professores e alunos por me terem feito o convite e me terem recebido tão calorosamente.Talvez deva referenciar que a escola cresceu, que já não passa só de um simples ''corredor'' com poucas salas de aula, uma cozinha e um pequeno mas modesto restaurante de aplicação. Mas sim uma instituição com todo o layout perfeito para uma aprendizagem profunda desta profissão. Acredito que hoje os alunos podem desfrutar de condições que os levarão a futuros brilhantes.
A minha passagem pela escola como aluno foi muito importante para o ''papel'' que desempenho hoje, ganhei a paixão pela profissão de empregado de mesa, e tudo o que envolve as comidas e bebidas. Sem dúvida os três melhores anos de escola. Fazem já seis anos que cheguei ao mercado de trabalho e desde então nunca parei de seguir o sonho de um dia vir a ser reconhecido por todo o esforço e poder contribuir para evoluir o nosso mundo de hotelaria.
Depois da escola, fui empregado de mesa, chefe de sala, sommelier (escancão, num restaurante estrela michelin), formador por um ano lectivo, e finalmente cheguei a Londres em Setembro de 2010, directamente para o Gordon Ramsay (3 estrelas michelin e segundo melhor restaurante do mundo em 2002).
Quando aqui cheguei, engane-se quem pensar que foi fácil, o trabalho é super competitivo e o detalhe é muito mais importante ainda. Comecei por aprender o menu ao pormenor, conhecer o serviço, e só depois de um mês, fui promovido a empregado de mesa, e contactar então com os primeiros clientes.
O dia de trabalho era longo, 14 a 15h diárias, e não havia cantina para o pessoal, pelo que faziamos as refeições em pé na cozinha.
A sala tem de estar perfeita em pormenor, nada pode falhar, os uniformes do pessoal são verificados, a mise-en-place, a posição de cada cadeira, até o centro de mesa, tudo tem de estar em harmonia e simplesmente alinhado e perfeito.
Do restaurante Gordon Ramsay, passei para o Dinner By Heston Bluementhal, outro grande chefe, dono do mítico The Fat Duck, com três estrelas michelin e melhor restaurante do mundo em 2005. Aqui tive a felicidade de conhecer Joao Pires, o único master sommelier da península ibéria, e um dos 120 no mundo inteiro.
Começou um capítulo novo na minha vida. o sommelier profissional. É um trabalho duro, em que os conhecimentos acerca de vinhos, a postura e a performance é extremamente importante, pois lidamos com as mais altas celebridades todos os dias.
Apercebi-me mais que nunca que um grande profissional em Londres, tem de estudar e melhorar todos os dias para não ser ultrapassado e posto de lado.
A última palavra a todos os alunos é que sigam sempre o vosso sonho, seja ele qual for...
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Projeto Eco Escolas EHF
O grupo de trabalho constituído pelos professores e alunos da EHF para o presente ano letivo, juntamente com a colaboração de toda a comunidade escolar, pretende implementar boas práticas ambientais em toda a comunidade escolar.
Esta década foi denominada a Década da Educação para a Sustentabilidade, tendo como objetivos encorajar ações que promovam valores como a responsabilidade ambiental e social, visando mudanças de conduta que permitam uma melhoria global do ambiente da escola.
A proposta consiste nem adotar uma metodologia de trabalho baseada nos 7 passos, conjugando-os com os temas do ano, que são Água, Resíduos, Energia e como tema do ano, a Agricultura Biológica. Assim:
1º Criação do Conselho EcoEscola
2º Realização de uma Auditoria Ambiental à Escola
3º Definição do Plano de Acção
4º Monitorização e avaliação
5º Desenvolvimento de Trabalho Curricular (a inserir nas actividades lectivas)
6º Informação e Envolvimento da Escola e da Comunidade (divulgação
das acções e organização de eventos)
7º Elaboração de um Eco-Código (código de conduta).
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Beneficios do voluntariado na carreira profissional

Ao realizar trabalho voluntário estás a ajudar a tua carreira como profissional e o teu desenvolvimento pessoal. Para jovens sem experiência, é também uma excelente oportunidade de encontrar emprego. Além disso, em muitos casos, a necessidade de executar projectos com recursos muito limitados e criatividade, ajuda a desenvolver novas e úteis habilidades. Com um aumento constante do número de desempregados, ser voluntário pode ser uma grande oportunidade para celebrar um contrato com uma Organização de Voluntariado.
E quais são os benefícios do voluntariado na carreira profissional? Pelo menos 3…
1- Primeiro contacto com o mundo do trabalho
Para os jovens que ainda não tiveram uma oportunidade de trabalhar, é uma boa forma de entrar no mundo do trabalho e adquirir uma valiosa experiência. Fazer uns meses de voluntariado, é logo o suficiente para pôr em evidência um CV e quem sabe até destacá-lo dos outros candidatos à oferta de emprego.
2- Desenvolver habilidades
As pessoas que fazem voluntariado, têm características que são bastante valorizadas pelos departamentos de Recursos Humanos, tais como capacidade de esforço, empatia, auto motivação e espírito de trabalho em equipa.
3 -Aumentar a rede de contactos
Trabalhando com os outros voluntários e apoiar uma causa, torna possível a expansão da rede de contactos, podendo estes novos contactos, virem a ser de extrema utilidade.
Normalmente os voluntários desenvolvem qualidades que são apreciadas em muitas empresas, portanto, em caso de dúvida, não hesites e abraça uma nova experiencia no voluntariado!
Ficam aqui algumas ideias:
http://europa.eu/youth/volunteering_-_exchanges/index_pt_pt.html
http://europa.eu/youth/volunteering_-_exchanges/index_eu_pt.html
http://cdp.portodigital.pt/emprego/oportunidades-de-trabalho-2/voluntariado
http://www.carreiras.universia.pt/mercado-laboral/voluntariado/
Sandra Monteiro
Unidade de Inserção e Acompanhamento Profissional – INSIGNARE
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Percursos
Após o término do Curso de três anos de Formação deparei-me com as decisões a tomar. Tinha como objetivos ingressar no mercado de trabalho ou prosseguir os estudos. Mas assim que terminei o estágio curricular, recebi a proposta de uma entidade de hotelaria em inicio de atividade para ocupar o cargo de Chefe de Cozinha do seu estabelecimento. Apesar da enorme responsabilidade, aceitei tornou-se uma experiencia muitíssimo importante no meu percurso profissional. Consegui conciliar o trabalho e frequência de alguns Cursos que atualizavam e completavam a minha formação. Uma das grandes conclusões a que cheguei ao fim de três anos de trabalho e estudo foi a de que devia seguir em frente e não deixar-me acomodar. É extremamente importante para enriquecimento do Curriculum aliar a experiência profissional à frequência do maior número possível de formações.
Decidi abrir o meu próprio estabelecimento, acumulando as funções de Chefe de Cozinha e sócio-gerente, e, então aí colocar cada vez mais em prática as inovações que os clientes procuram, e ser diferente!
A Escola sempre teve e continua a ter um grande aspeto muito positivo, saber a situação em que se encontram os ex-alunos. A existência desta troca de informação é gratificante para a escola e para nós como ex-alunos que iniciamos aqui o nosso percurso profissional. Foi assim que iniciei o meu percurso na INSIGNARE. Sendo formador certificado pelo IEFP, surgiu um convite para dar formação na INSIGNARE nos cursos do Centro de Formação Continua onde conheci melhor a grande equipa de colaboradores. A minha entrada como formador fez-me recordar os meus tempos de aluno.
A proposta mais recente foi entrar no Ensino Profissional exercendo a função de Formador, Chefe de Cozinha do Curso Técnico de Cozinha/Pastelaria, na Escola de Hotelaria de Fátima. Neste momento tenho como colegas professores e chefes que contribuíram para a minha formação que me levaram a este patamar. Está a ser uma experiência bastante motivadora e levada com o máximo rigor para que no dia de amanhã, os alunos que estão a ser formados sejam excelentes profissionais cheios de sucesso.
Sérgio Parente
Formador
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Contratá-lo? Dê-me uma boa razão
Saber fazer, saber estar, pensamento positivo, disponibilidade, comunicabilidade e pro atividade são elementos chave num mercado cada vez mais competitivo. Vejam o video que se segue, gentilmente enviado por um antigo aluno do Curso de Gestão de Equipamentos Informáticos, Jóni Oliveira, a quem agradeço desde já a amabilidade.
Miguel - Prós e Contras (20-06-2011)
http://vimeo.com/joliveira/miguel
Sandra Monteiro
Unidade de Inserção e Acompanhamento Profissional - INSIGNARE
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Uma casa cheia de Livros
Quando me pediram para entrar numa sala, entrei. Não contava surpreender-me. Estávamos numa biblioteca pública e eu era capaz de imaginar com antecedência o que me queriam mostrar. A senhora que caminhava dois passos à minha frente era dona de uma voz branda, feita de boa fazenda, e dizia que se tratava da oferta de um senhor que tinha morrido. O
filho tinha cumprido a vontade do pai e tinha acordado as condições com a biblioteca: quase nenhumas. A sala não era uma sala, era uma sucessão de salas. Cada uma delas estava completamente ocupada por estantes cheias. Com a mesma voz de antes, a senhora explicava-me que os livros tinham vindo nas próprias estantes onde estavam. Uma empresa de mudanças tinha-se ocupado desse serviço durante dia e meio, sem parar, meia dúzia de homens.
Eu já vi muitos livros e não contava surpreender-me mas, depois, prestei mais atenção. Enquanto ouvia a descrição do cenário em que encontraram os livros - uma casa cheia de livros, todas as paredes cheias, do chão ao tecto, prateleiras com duas fileiras de livros, pilhas de livros - foquei o meu olhar nas lombadas, nos títulos. A forma como estavam ordenados, lembrou-me a caligrafia da minha avó, uma caligrafia septuagenária, agarrada a uma perfeição talvez desnecessária, a um esforço de manter a correcção mesmo depois de estar quase tudo perdido, como se essa correcção pudesse salvar. Tratava-se de uma organização que previa a dimensão estética - o tamanho das edições, as colecções, as cores das capas - mas, também, uma vertente literária - géneros, história da literatura - e alfabética - B depois do A. Por vincos ínfimos, dava para perceber que eram livros lidos. Mas tão bem tratados, tão minuciosamente acarinhados. Ao mesmo tempo, entre prateleiras, entre salas, fui percebendo quais eram os autores que, criteriosamente, não estavam representados e quais os que tinham toda a sua obra naquelas estantes; fui percebendo quais os períodos e os temas que interessavam à pessoa que juntou todos aqueles milhares de livros.
É uma vida, repetia a senhora, é uma vida inteira. E contou que aqueles livros estavam agora à espera de serem catalogados e, a pouco e pouco, arrumados junto dos outros. Foi nesse momento que consegui distinguir com clareza o quanto estavam assustados. Olhavam para todos os lados, não conheciam o futuro que os esperava. Afinal, o eterno podia mudar com tanta facilidade, bastava um sopro. Foi nesse momento que consegui distinguir as suas vozes fininhas, a cruzarem-se no ar daquelas salas, cheiro a livros e a medo. Vestidos com roupas novas, roupas nobres e tão despreparados para as exigências de uma realidade feita de mãos e transtornos, feita de pressa real.
Muito tempo depois de sair de lá, a quilómetros de distância, voltei a pensar naqueles livros. Aquela selecção privada iria diluir-se nas prateleiras da biblioteca. O fim de uma ilusão costuma causar-me melancolia. Foi o caso. Muito provavelmente, na memória daqueles livros, o tempo que passaram nessa casa antiga, protegida, iria diluir-se também. Daqui a anos, depois de mundo e cicatrizes, ao encontrarem-se por acaso poderão nem sequer reconhecer-se. Poderão ser como aquelas pessoas que se reencontram e que não sabem se devem cumprimentar-se ou não e que, ao não fazê-lo, é como se tivessem deixado de conhecer-se.
Os livros, esses animais opacos por fora, essas donzelas. Os livros caem do céu, fazem grandes linhas rectas e, ao atingir o chão, explodem em silêncio. Tudo neles é absoluto, até as contradições em que tropeçam. E estão lá, aqui, a olhar-nos de todos os lados, a hipnotizar-nos por telepatia. Devemos-lhes tanto, até a loucura, até os pesadelos, até a esperança em todas as suas formas."










